Eneagrama: o mapa que me ajudou a encontrar-me!
Uma partilha pessoal sobre como conhecer o meu tipo no Eneagrama me trouxe mais compaixão, presença e clareza — na vida e no trabalho.
Há ferramentas que não se escolhem.
Elas escolhem-nos a nós — no momento certo, de forma quase silenciosa.
Foi assim que o Eneagrama entrou no meu caminho.
Na verdade, entrou de mansinho…
Num momento em que eu procurava compreender melhor os meus próprios processos, as minhas exigências, os porquês que me habitam.
Quando descobri que sou Eneatipo 1 com asa 2, algo em mim se organizou.
Como se uma parte minha, que eu sempre sentira, mas nunca soubera nomear, tivesse finalmente encontrado palavras, forma e… acolhimento.
Até então, eu já me reconhecia como alguém movida por valores fortes.
Tenho um senso apurado de justiça e coerência — e um compromisso (por vezes pesado) com o que acredito ser certo. Mas o que o Eneagrama me mostrou foi mais do que isso. Foi a explicação subtil e amorosa de por que motivo eu sou assim.
E como isso me tem moldado — nas escolhas, nas relações, no trabalho, e até na forma como lido comigo mesma.
Durante muito tempo, tentei ser sempre "a versão melhorada de mim mesma".
Perfeita, justa, produtiva, coerente, presente.
E quando falhava (porque falhar é inevitável), surgia o peso da culpa, o crítico interno afiado, a sensação de ter desapontado alguém — ou a mim própria.
O Eneagrama não veio para me mudar.
Veio para me dar consciência e compaixão.
Perceber que sou tipo 1 com asa 2 foi como acender uma luz sobre várias áreas da minha vida:
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Compreendi que a minha autoexigência, quando não vigiada, pode tornar-se uma prisão;
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Que o meu desejo de ajudar os outros precisa de ser equilibrado com o meu próprio cuidado;
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Que o meu olhar atento aos detalhes é uma força — mas que pode tornar-se exaustivo se não for suavizado por empatia.
Aprendi que o meu crítico interno não está lá para me destruir.
Ele tenta proteger-me do erro, do julgamento, da exposição.
E que o verdadeiro trabalho é acolher essa voz com gentileza — em vez de travar uma guerra com ela.
Como o Eneagrama transformou o meu trabalho
O que aprendi sobre mim através do Eneagrama foi também sendo incorporado no meu trabalho como terapeuta.
Especialmente no contexto do luto — onde as dores são tantas vezes silenciosas, invisíveis, incompreendidas.
Como terapeuta do luto, sei o quanto é importante escutar.
Mas, para escutar de verdade, precisei primeiro de aprender a escutar-me.
E o Eneagrama ajudou-me exatamente nisso.
Ajudou-me a reconhecer quando estou a tentar "consertar" algo no outro por não saber tolerar a imperfeição.
A distinguir entre a empatia verdadeira e o impulso de me tornar indispensável.
A estar presente sem precisar ter todas as respostas — o que, para um tipo 1, é uma libertação profunda.
O Eneagrama também me tornou mais sensível às diferenças entre as pessoas:
O que é instintivo para mim pode ser desafiante para o outro.
O que eu vejo como certo pode não ser a verdade do outro.
Isso ampliou o meu olhar, suavizou os meus julgamentos, e tornou-me uma terapeuta mais humana — e mais humilde.
É importante dizer: o Eneagrama não é uma caixa onde se encaixa uma personalidade.
É um caminho. Um processo.
Uma ferramenta viva, que nos acompanha ao longo das fases da vida.
Hoje, continuo a explorar este mapa com curiosidade.
A descobrir camadas novas do meu tipo.
A observar como os meus padrões se manifestam… e quando posso escolher diferente.
Tenho aprendido a relaxar — mesmo quando a lista de tarefas não está concluída.
A pedir ajuda — mesmo quando o instinto me diz que devia conseguir sozinha.
A confiar que o "bom", o "suficiente" pode ser mais saudável do que o "ideal impossível".
Se há algo que levo comigo deste processo, é isto:
🔸 Conhecer-me foi o primeiro passo para deixar de exigir tanto de mim.
🔸 Aceitar-me foi o segundo passo para cuidar com mais verdade.
🔸 E a seguir, veio a paz de saber que não há forma certa de ser — há apenas formas mais conscientes de estar.
O Eneagrama tornou-se a minha bússola.
Não para me controlar, mas para me orientar.
Para me lembrar de que posso ser ética e leve, comprometida e flexível, exigente e compassiva.
Sobretudo… comigo.
E tu?
Já descobriste o teu tipo no Eneagrama?
Ou sentes que ainda estás a caminhar por esse mapa interior?
Se quiseres, partilha comigo.
Adoro estas conversas onde nos encontramos — e nos acolhemos 💛
